Auditoria Cidadã participa da Assembleia Mundial da rede CADTM, na Tunísia

12 de Maio por Auditoria Cidadã da Dívida

A Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) participou da Assembleia Mundial da Rede CADTM (Comitê para Abolição das Dívidas Ilegítimas), da qual é membro, realizada na Tunísia, no período de 26 a 30 de abril. Participaram delegados de 50 países e Carmen Cecilia Bressane, coordenadora regional do núcleo SP da ACD, representou o Brasil.

Na primeira atividade da assembleia reuniram-se representantes por continente. Na reunião da América Latina constatou-se que os países dessa região passam por uma situação econômica bastante instável e, politicamente, há forte tendência de assunção de governos com clara posição capitalista que viriam a implementar um programa político econômico fortemente neoliberal, típico de um capitalismo que contribui para o empobrecimento coletivo e para a miséria individual.

Da América Latina e Caribe, estavam reunidos Carmen Bressane, pelo Brasil; Gonzalo Gomes, pela Venezuela; Guillermo Berganza, representando a Argentina; Camille Chalmers, pelo Haiti; Ramiro Chimuris, pelo Uruguai; e William Gaviria, da Colômbia. As discussões foram coordenadas por Maria Elena Saludas, da Argentina e Eric Toussaint, da Bélgica.
Paralelamente ocorreram reuniões de representantes da África, Europa e Ásia.


ASSEMBLEIA GERAL

Na Assembleia Geral, com a participação de representantes dos diversos países e dos membros da Coordenação e dos Secretariados do CADTM, foram expostos resumos das situações de cada continente.

Chamou a atenção a questão das lutas das mulheres em relação à questão da dívida e do microcrédito, que têm representado um gravíssimo problema, principalmente na África.
A Assembleia Geral aprovou alteração estatutária do CADTM para garantir maior efetividade à paridade homem/mulher no âmbito da rede.

Outra alteração relevante foi a mudança no nome da CADTM: de Comitê para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo para Comitê para Abolição das Dívidas Ilegítimas. A mudança é motivada pela luta contra as dívidas ilegítimas que subjugam povos em todo o planeta e, portanto, todas serão objeto de luta do CADTM.

A assembleia também decidiu pela ampliação da luta, abrangendo, além das dívidas públicas, as privadas, que têm feito vítimas em larga escala no mundo todo, com micro créditos Créditos Montante de dinheiro que uma pessoa (o credor) tem direito de exigir a outra pessoa (o devedor). abusivos e práticas de agiotagem.


CONCLUSÕES

Ao final, a assembleia da CADTM reivindicou seu envolvimento anti-capitalista, feminista, internacionalista e quer recordar que, na luta contra todas as formas de opressão, coloca-se no coração da ação educação popular, da mobilização, da desobediência civil e da auto-organização das lutas.

Com isso, a rede mundial reafirma a luta contra as políticas econômicas neoliberais que impõem sacrifícios às populações dos países para fazer superávit primário para pagamento de dívidas públicas cuja origem, legalidade e legitimidade não são comprovadas. Confirma o esforço de buscar justiça e igualdade de gêneros nas sociedades, com vistas a eliminar a predominância masculina sobre as mulheres. E mantém todo o empenho no empoderamento popular a fim de fomentar e orientar a mobilização das sociedades para lutar pelas auditorias das dívidas dos países.

A Assembleia manteve a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida – ACD, Maria Lucia Fattorelli como representante do Conselho Internacional para a região AYNA (América Latina e Caribe), e Maria Elena Saludas, da Argentina, como substituta.

Ficou reforçada a posição dos países participantes relativa ao empenho de todos para conseguir uma Auditoria Cidadã da Dívida de seus países. Em um de seus pronunciamentos Eric Toussaint lembrou que o termo “Auditoria Cidadã da Dívida” foi criado por Fattorelli. De fato, o nome surgiu no Brasil, em reunião com a participação de cerca de 80 lideranças nacionais, realizadas logo após o grande Plebiscito Popular realizado no ano 2000, quando esse mesmo coletivo designou Maria Lucia para coordenar o movimento.

A Assembleia foi encerrada com o comprometimento dos representantes em continuar lutando para implementar comités de auditoria cidadã em outros países e realizar mais intercâmbio entre os membros do CADTM da América latina/Caribe e destes com os membros do CADTM África.


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