Governo de esquerda : Começa a auditoria da dívida grega

21 mars 2015 par Eric Toussaint , Frédéric Rohart


O belga Éric Toussaint dirigirá a comissão de especialistas que fará a auditoria da dívida grega. Tratase de preparar o processo de cancelamento da dívida.
À margem de negociações tumultuadas para o prolongamento da ajuda financeira, a Grécia prepara-se para outra discussão, mais fundamental : a de um eventual cancelamento da dívida.
Excerto da entrevista traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Parlamento grego acaba de anunciar a constituição da comissão de especialistas que fará a auditoria da dívida. Ontem, a presidenta da Assembleia, Zoe Konstantopoulou, anunciou que a comissão será presidida por Éric Toussaint, belga de Namur e porta-voz da rede internacional do Comitê para a Anulação da Dívida do 3º Mundo [orig. Comité pour l’annulation de la dette Dette Dette multilatérale : Dette qui est due à la Banque mondiale, au FMI, aux banques de développement régionales comme la Banque Africaine de Développement, et à d’autres institutions multilatérales comme le Fonds Européen de Développement.
Dette privée : Emprunts contractés par des emprunteurs privés quel que soit le prêteur.
Dette publique : Ensemble des emprunts contractés par des emprunteurs publics.
du Tiers-monde (CADTM)].

Historiador e doutor em Ciências Políticas (ULg e Paris VIII), Toussaint acompanhou as iniciativas de auditorias cidadãs das dívidas belga, francesa, de Portugal e da Grécia. A nova comissão analisará as dívidas que estão sendo cobradas da Grécia, “para definir quais as dívidas legítimas, ilegítimas, ilegais, odiosas ou inadmissíves” – explicou o “coordenador científico” recém-nomeado da Comissão.

A comissão será composta por cerca de 30 especialistas (juristas, economistas, especialistas em auditagem de contas públicas) gregos e estrangeiros. Os nomes serão revelados em abril/2015, antes da primeira sessão de trabalho.

O Prof. Éric Toussaint já fez parte da comissão que fez a auditagem da dívida do Equador em 2007-2008. A partir do trabalho dessa comissão, o Equador adotou uma estratégia para a dívida que muito beneficiou o país. Em 2011, ele lançou, com outros intelectuais, cinco dos quais são hoje ministros do governo de Alexis Tsipras – um apelo internacional, que culmina agora com a constituição da comissão para auditagem cidadã da dívida grega.

A comissão presidida por Toussaint examinará todas as transações desde os anos 1990. Na primeira etapa, a comissão trabalhará sobre o período imediatamente anterior à intervenção da Troika, até hoje.

Como nas tragédias gregas” – diz o professor Toussaint. “Há unidade de espaço, de tempo, de protagonistas” – o professor continua :

« Nesse período, foram contraídas 80% das dívidas que os banqueiros cobram hoje da Grécia – diz o professor. Depois, trabalharemos com o período que precede a entrada da Grécia na zona do euro e as condições nas quais se deu. Sabe-se já dos grandes dossiês de “maquiagem” das contas da Grécia com a “ajuda” do Goldman Sachs, mas há outras questões importantes do final dos anos 1990s, sobretudo os contratos gigantes entre o governo grego e a multinacional Siemens. Já temos um estudo sério que avalia em 200 milhões de euros a quantidade de dinheiro que a Siemens pagou a autoridades do governo grego. Examinaremos também o imprevisto endividamento relacionado aos Jogos Olímpicos. »

Perguntado sobre se na atual situação de tensão entre a Grécia e seus credores essa auditagem não seria recebida como provocação, o professor Toussaint lembrou que, em maio de 2013, a União Europeia adotou a Lei n. 472, que obriga todos os países submetidos a programa de ajuste estrutural a fazer auditagem completa da própria dívida, para que se saiba por que a dívida teria chegado a níveis insustentáveis.

« A Grécia está, simplesmente, cumprindo uma regra vigente da União Europeia – concluiu ele. »



cadtm.org
Eric Toussaint

docteur en sciences politiques des universités de Liège et de Paris VIII, porte-parole du CADTM international et membre du Conseil scientifique d’ATTAC France.
Il est l’auteur des livres Le Système Dette. Histoire des dettes souveraines et de leur répudiation,Les liens qui libèrent, 2017 ; Bancocratie, ADEN, Bruxelles, 2014 ; Procès d’un homme exemplaire, Éditions Al Dante, Marseille, 2013 ; Un coup d’œil dans le rétroviseur. L’idéologie néolibérale des origines jusqu’à aujourd’hui, Le Cerisier, Mons, 2010. Il est coauteur avec Damien Millet des livres AAA, Audit, Annulation, Autre politique, Le Seuil, Paris, 2012 ; La dette ou la vie, Aden/CADTM, Bruxelles, 2011. Ce dernier livre a reçu le Prix du livre politique octroyé par la Foire du livre politique de Liège.
Il a coordonné les travaux de la Commission pour la Vérité sur la dette publique de la Grèce créée le 4 avril 2015 par la présidente du Parlement grec. Cette commission a fonctionné sous les auspices du parlement entre avril et octobre 2015. Suite à sa dissolution annoncée le 12 novembre 2015 par le nouveau président du parlement grec, l’ex-Commission poursuit ses travaux et s’est dotée d’un statut légal d’association sans but lucratif.

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