Comunicado
26 de Junho de 2022 por ATTAC/CADTM Marrocos
O trágicos acontecimentos de 24 de junho de 2022, na fronteira entre Nador e Melilha, em Marrocos, remetem com violência para o desastre das políticas migratórias securitárias.
Os 37 mortos e as centenas de feridos do lado dos emigrantes, bem como os do lado das forças policiais marroquinas, constituem um símbolo trágico das políticas europeias de externalização das fronteiras da União Europeia (UE), com a cumplicidade de um país do Sul, Marrocos. A morte daqueles jovens africanos nas fronteiras da «fortaleza europeia» alerta para a natureza mortífera da cooperação securitária em matéria de imigração entre Marrocos e a Espanha.
As premissas do drama de 24 de junho estavam presentes há semanas. As campanhas de detenções, razias nos acampamentos, deslocações forçadas dirigidas contra migrantes estacionados em Nador e na região circundante já prenunciavam este drama. O recomeço da cooperação securitária no domínio das migrações entre Marrocos e Espanha, em março de 2022, teve como consequência directa a multiplicação de acções coordenadas entre os dois países.
Estas medidas foram marcadas por violações dos direitos humanos das pessoas migradas no norte (Nador, Tetuão e Tânger) e no sul de Marrocos (El Aiune, Dakhla). O drama desta triste jornada é consequência directa da pressão planificada contra as pessoas exiladas.
Há mais de ano e meio que as pessoas migradas em Nador são privadas do acesso a medicamentos e a cuidados, veem os seus acampamentos serem incendiados e os seus bens espoliados, as suas magras rações alimentares destruídas e até a pouca água potável que é posta à sua disposição nos acampamentos ser confiscada.
As expedições punitivas descambaram numa espiral de violência dos dois lados do conflito. Sendo violência é condenável, venha ela donde vier, mas não podemos esquecer a violência sistémica a que estão sujeitos os migrantes em Nador desde há anos por parte das forças da ordem espanholas e marroquinas. Estas práticas foram já denunciadas por diversas vezes por instâncias nacionais, regionais e da ONU.
Face a este novo drama fronteiriço, e tendo em conta a amplitude do balanço humano – que desgraçadamente continua a ser revisto em alta –, as organizações signatárias deste comunicado declaram o seguinte:
SIGNATÁRIOS:
La Plateforme des Associations et Communautés Subsahariennes au Maroc (P. ASCOMS)
Caminando Fronteras
ATTAC CADTM Maroc
Association d’aide aux migrants en situation de vulnérabilité – Maroc (AMSV)
AMDH/ L’Association Marocaine des Droits Humains
Fonte: Attac Maroc
Tradução de Rui Viana Pereira
membro da rede CADTM e da Associação para a Taxação das Transações financeiras e pela Ação Cidadã (ATTAC Marrocos), criada em 2000. Desde 2006, a ATTAC Marrocos é membro da rede internacional do CADTM (que em junho de 2016 passou a chamar-se Comité para a Anulação das Dívidas Ilegítimas). Presentemente conta com 11 grupos locais em Marrocos. A ATTAC visa dar apoio aos intervenientes nas atividades sociais, associativas, sindicais e em geral aos militantes contra os desafios da mundialização e pela resistência social e cidadã.
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