Comunicado da Coordenação nacional da contra-cimeira às reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Marraquexe, em outubro de 2023

Façamos da nossa contra-cimeira em Marraquexe um bem-sucedido encontro de luta dos movimentos sociais e climáticos mundiais. Uma concretização de todas as formas de solidariedade internacional com as vítimas do cataclismo em Marrocos

18 de Setembro de 2023 por Collectif , ATTAC/CADTM Marrocos




Coordenação nacional da contra-cimeira às reuniões do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional em Marraquexe, em outubro de 2023

Façamos da nossa contra-cimeira em Marraquexe:

Um bem-sucedido encontro de luta dos movimentos sociais e climáticos mundiais

Uma concretização de todas as formas de solidariedade internacional com as vítimas do cataclismo em Marrocos

O sismo que abalou Marraquexe, nas regiões de Al Haouz, Tarudante e Uarzazate provocou uma imensa tragédia humana e social. O número de vítimas à data actual ascende a cerca de 2950 mortos e mais de 5670 feridos. Aldeias inteiras e milhares de casas foram destruídas, principalmente nas zonas montanhosas atingidas.

A amplitude dos impactos humanitários, sociais e económicos do sismo está relacionada com as políticas liberais recomendadas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e aplicadas pelo Estado marroquino. As despesas públicas aumentaram para desenvolver grandes infraestruturas como os aeroportos internacionais, os portos, as autoestradas e as ferrovias, a fim de encorajar os investimentos privados estrangeiros e locais. Em contrapartida, a maioria das zonas rurais e a periferia das cidades encontra-se marginalizada e padece de frágeis serviços públicos, pobreza e desemprego.

Todos os participantes na Coordenação Nacional da Contra-Cimeira estão empenhados numa solidariedade popular contínua com as pessoas sinistradas. Os movimentos sociais envolvidos no processo de preparação da contra-cimeira a nível internacional, continental, regional e nacional também exprimiram a vontade de contribuir para apoiar as vítimas do sismo. A nossa contra-cimeira de Marraquexe dá-nos a oportunidade de concretizar essa solidariedade internacional entre povos. Reforcemos as nossas alternativas contra as políticas do Banco Mundial e do FMI e seus aliados, que provocam o agravamento da dívida, das crises económicas e sanitárias, das mudanças climáticas e do despotismo, da discriminação racial e de género.

A Coordenação Nacional da Contra-Cimeira intensifica esforços para acolher os movimentos sociais mundiais que irão reunir-se em Marraquexe, de 12 a 15 de outubro de 2023, contra as reuniões do Banco Mundial e do FMI. Desafiamos todas as dificuldades, para fazermos deste encontro uma bem-sucedida luta dos movimentos sociais e climáticos, dos sindicatos, das organizações de mulheres, dos pequenos camponeses, dos povos indígenas, das organizações não governamentais de luta, das pessoas pobres, marginalizadas, vítimas das catástrofes climáticas e naturais, e de todas as vítimas das instituições financeiras internacionais, das multinacionais, dos ricos e do despotismo. Consolidemos a unidade dos povos pela liberdade, pela dignidade, pela democracia, pela justiça social e climática, pela soberania.

Nós, Coordenação Nacional da Contra-Cimeira às reuniões do Banco Mundial e do FMI, em Marraquexe, reiteramos:

  • As nossas sinceras condolências às famílias das vítimas do sismo.
  • O nosso apoio a todas as formas de solidariedade popular.
  • As boas-vindas a todos os movimentos sociais mundiais que venham participar na contra-cimeira de Marraquexe em outubro, e sugerimos que nessa contra-cimeira concretizemos todas as formas de solidariedade internacional com as pessoas sinistradas em Marrocos.
    Comité de acompanhamento da contra-cimeira em Marrocos a realizar em 12-15 de setembro de 2023

Tradução de Rui Viana Pereira

ATTAC/CADTM Marrocos

membro da rede CADTM e da Associação para a Taxação das Transações financeiras e pela Ação Cidadã (ATTAC Marrocos), criada em 2000. Desde 2006, a ATTAC Marrocos é membro da rede internacional do CADTM (que em junho de 2016 passou a chamar-se Comité para a Anulação das Dívidas Ilegítimas). Presentemente conta com 11 grupos locais em Marrocos. A ATTAC visa dar apoio aos intervenientes nas atividades sociais, associativas, sindicais e em geral aos militantes contra os desafios da mundialização e pela resistência social e cidadã.

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