México

O CADTM saúda a decisão do novo governo mexicano de não convidar para sua posse o rei Felipe VI da Espanha

1 de Outubro de 2024 por CADTM International


Diego Rivera, A conquista do México, 1929- Detalhe do mural no corredor do Palácio Nacional com cenas da conquista do México com exemplos de violencia contra a população originaria. Palácio Nacional-INBA

Na cerimônia de transmissão de cargo entre o Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, e a nova Presidente, Dra. Claudia Sheimbaum Pardo, a ser realizada na próxima terça-feira, 1º de outubro, haverá uma ausência notável: o rei Felipe VI de Bourbon, do Reino da Espanha.



O motivo dessa ausência se deve ao comportamento arrogante e colonialista do rei Felipe VI, que não respondeu à solicitação do atual presidente Andrés Manuel López Obrador (AMLO) de apresentar desculpas aos povos indígenas do México pelas atrocidades cometidas durante a colonização do país e do restante do continente. Diante do silêncio arrogante e imperialista do rei, o governo mexicano congelou as relações diplomáticas com o reino espanhol em 2022.

A atitude colonialista arrogante de Felipe VI também ficou evidente quando ele se recusou a se levantar na cerimônia de posse do presidente colombiano Gustavo Petro, quando a espada do libertador Simón Bolívar foi transferida do Palácio de Nariño para o local da cerimônia, ou quando ele adotou uma atitude fria na posse do presidente boliviano Luis Arce Catacora.

A posição do novo governo mexicano em relação ao Rei Felipe VI questiona as posturas submissas dos governos latino-americanos de direita, bem como a complacência do governo “socialista” espanhol em relação a uma instituição anacrônica e corrupta como a monarquia espanhola.

Enquanto o CADTM saúda a posição de Claudia Sheinbaum, a presidente recém-eleita, que denuncia o passado colonial da monarquia espanhola e vai além da tradicional submissão dos governos latino-americanos a essa instituição, enfatizamos que é preciso romper com organizações neocoloniais como o Banco Mundial (BM) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI), que foram criados há 80 anos, após a assinatura dos acordos de Bretton Woods, com o objetivo de ampliar o poder dos Estados Unidos e das potências ocidentais na era pós-Segunda Guerra Mundial.

Desde então, essas instituições continuaram a serviço de um capitalismo patriarcal e racista, cada vez mais concentrado, empobrecendo as pessoas e devastando a natureza e a vida. Para subjugar as pessoas, o Banco Mundial e o FMI usam a dívida externa e acordos de livre comércio que beneficiam as corporações transnacionais.

É por isso que medidas como a que estamos acolhendo hoje devem ser acompanhadas de resistência popular. Estamos convencidos de que os povos de Nossa América, a Outra América, por meio de suas lutas, mobilizações e organização, avançarão rumo à sua verdadeira e definitiva emancipação.


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