A luta contra a extrema direita está no centro do debate público no Brasil e no mundo
23 de Agosto de 2024 por Israel Dutra , Roberto Robaina

Passado o pique da pandemia, Porto Alegre volta ás ruas contra a extrema-direita
Foto Revista Movimento
Na semana em que começam as eleições municipais, onde a militância vai se jogar pelos próximos cinquenta dias, queremos aqui também chamar atenção para uma grande tarefa dos próximos meses, que se articula e se combina com a luta por vitórias eleitorais.
O esforço pioneiro de convocar uma conferência internacional para combater a extrema-direita uniu o PSOL e o PT de Porto Alegre, mesmo antes do período eleitoral. A ideia já vinha sendo debatida em espaços locais e internacionais, entre intelectuais como Eric Toussaint e outros, mas foi materializada na convocatória feita pelos presidentes dos dois partidos na capital gaúcha.
Com adesão em seguida de importantes sindicatos, centrais e do MST, a convocatória correu o mundo e chegou a 30 países confirmados, dos cinco continentes, com importantes organizações e personalidades. O resto da história é conhecida. As catástrofes climáticas que assolaram o Rio Grande do Sul – e que até hoje pautam o centro do debate político – impediram a realização da Conferência na data proposta. Contudo, após reunião do comitê local veio uma nova convocatória para uma nova data.
Motivos não nos faltam. Podemos dizer que 2024 está conhecendo o ápice da luta que a extrema-direita empreende para reverter as conquistas – mesmo limitadas – da democracia liberal.
O projeto mais acabado da extrema direita é destruir Gaza, com uma “solução final” amparada no terrorismo de estado, por parte de Israel, orientada pelo “supremacismo branco”. É um genocídio que comove a humanidade.
No terreno eleitoral, a disputa mais importante é nos Estados Unidos, onde Trump tenta retomar o governo. As eleições europeias fizeram soar um alarme, pelos resultados da extrema-direita em muitos países, na França e na Alemanha, por exemplo. A vitória eleitoral da Nova Frente Popular foi um sopro de esperança.
Os recentes acontecimentos no Reino Unido atualizaram a forma dos embates. No caso inglês, a luta saiu do terreno eleitoral e tomou força de enfrentamentos massivos, contra os crimes que os neofascistas estavam a incitar contra os imigrantes.
Está em jogo coordenar uma resposta mais geral, que defenda um programa e mobilize contra aqueles que querem destruir as liberdades democráticas.
A extrema direita, por sua vez, escolheu o Brasil para realizar seu encontro, em Camboriú, em julho. Foi uma celebração de suas ideias, com a presença de Milei como estrela, junto ao clã Bolsonaro. O CPAC (Conservative Political Action Conference) nasceu nos Estados Unidos no ano de 1974. Agora ganhou nova vida com o auge da extrema-direita contemporânea.
As aparições de Bolsonaro indicam três elementos, de forma imediata: a) a extrema direita está coordenada na região e tem em Milei seu carro-chefe para passar seus planos, sendo a Argentina um verdadeiro laboratório; b) a operação sincronizada envolve Musk, um plano para as redes e a disputa das próximas eleições em vários países; c) a eleição municipal está na mira da extrema direita brasileira como antessala para 2026.
Ou seja, nenhuma eleição municipal desde a redemocratização foi tão marcada pela luta entre o projeto autoritário da extrema direita e as unidades eleitorais com base em tarefas democráticas, na linha de construir um “muro” contra tais ameaças.
Uma das caraterísticas da presente eleição é a conversão “bolsonaristas” de lideranças pragmáticas, à direita, como o caso de Sebastião Melo em Porto Alegre e Ricardo Nunes em São Paulo.
Nos próximos cinquenta dias combateremos as propostas reacionárias, apresentando um programa concreto, de enfrentamento, com eixo na mobilização.
Em Porto Alegre, se reúnem condições excepcionais para a luta política- uma aliança aos moldes de um tipo de “frente popular”, a escolha simbólica para sediar a luta antifascista e o aprendizado de massas diante da catástrofe climática.
No Brasil inteiro disporemos os melhores esforços para obter vitórias eleitorais que fortaleçam a luta antifascista, com vistas às batalhas que estão pela frente. E a Conferência de 2025 será um passo decisivo. Motivos temos em demasia.
Fonte: Revista Movimento
Israel Dutra é sociólogo, Secretário de Movimentos Sociais do PSOL, membro da Direção Nacional do partido e do Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL)
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é dirigente do PSOL e do Movimento Esquerda Socialista (MES), editor da Revista Movimento e vereador de Porto Alegre
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