28 de Novembro de 2016 por Fátima Martín
O Manifesto de Oviedo, que está na origem da proposta de criação duma frente contra a dívida ilegítima e foi assinado por mais de 700 representantes eleitos, adquiriu uma nova dimensão: acaba de ser subscrito por personalidades internacionais como Susan George, Yanis Varoufakis, Zoe Konstantopoulou ou Tariq Ali, entre outras – http://www.cadtm.org/Manifeste-d-Oviedo
A filósofa e investigadora Susan George, presidente do Transnational Institute (TNI Amsterdam) e presidente honorífica da ATTAC França, saudou a iniciativa, com o apoio de Éric Toussaint, porta-voz da rede internacional do Comité para a Abolição das Dívidas Ilegítimas (CADTM) e membro do Conselho Científico da ATTAC França. Éric Toussaint foi também conselheiro do Equador para a dívida ilegítima e coordenou os trabalhos da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega, criada pela ex-presidente do Parlamento helénico, Zoe Konstantopoulou, que também subscreveu o Manifesto de Oviedo.
Com origem na Grécia, juntaram a sua assinatura: o ex-ministro das Finanças e co-fundador do DiEM25, Yanis Varoufakis; Aris Chatzistefanou, realizador de Dividocracia e de Catastroika; vários membros da Comissão para a Verdade sobre a Dívida Pública Grega: o jurista Ilias Bantekas, a eurodeputada Sophia Sakorafa e o jornalista Leonidas Vatikiotis, assim como Stathis Kouvelakis, professor do King’s College.
Assinaram também: Catherine Samary, economista e membro do conselho científico da ATTAC França; Tariq Alí, escritor (Reino Unido); James Petras, sociólogo norte-americano; Feliz Kerestecioglu, HDP, deputada no Parlamento turco; Alberto Acosta, ex-presidente da Assembleia Nacional Constituinte do Equador; Piedad Mancero, membro da Comissão de Auditoria Integral da Dívida Pública do Equador (CAIC); Francisco Louçã, economista da Universidade de Lisboa, do Bloco de Esquerda (Portugal); Srećko Horvat, co-fundador do DiEM25 (Croácia); Stefano Fassina, ex-vice-ministro da Economia e Finanças do Governo italiano, deputado da Esquerda Italiana; Per A. Eklund, DiEM25 (Suécia); Diego Borja, ex-ministro da política económica do Equador; Mick Barry, deputado do Partido Socialist Party (Irlanda); Denik Beny, Lista Unitária (Dinamarca); Soren Sondergaard, deputada da Aliança Verde-Vermelha (Dinamarca); Joana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda (Portugal); Olivier Bonfond, economista da FGTB da Valónia; Patrick Saurin, do Sud BPCE e membro do CADTM França; Michel Husson e Thomas Coutrot, da ATTAC França; Alexis Cukier e Myriam Martin, membros de Ensemble!, Christine Poupin, do NPA, e Peter Wahl, membro do comité executivo do WEED (Alemanha).
Estas assinaturas internacionais vêm juntar-se a mais de 700 autarcas, deputados e eurodeputados do Estado espanhol que declaram estar convencidos da necessidade de uma verdadeira mudança em relação às políticas de austeridade, rejeitando a dívida ilegítima e as restrições orçamentais que não permitem garantir direitos e serviços de qualidade, nem melhorar as condições de vida das populações.
Entre os signatários encontram-se mais de meia centena de presidentes de câmara, centenas de autarcas municipais e dezenas de deputados provinciais, nacionais e europeus de diferentes partidos políticos. Os autarcas municipais de Saragoça, Pedro Santisteve; de Badalona, Dolores Sabater; de Pamplona, Joseba Asirón; de Cádis, José María González ‘Kichi’; a vice-presidente da autarquia de Oviedo, Ana Taboada; o encarregado da economia e finanças de Madrid, Carlos Sánchez Mato; os deputados parlamentares Teresa Rodríguez (Andaluzia) e Pablo Echenique (Aragão); a presidente do Parlemento das Baleares, Xelo Huertas; os deputados e deputadas Alberto Garzón, Sonia Farré e Rafael Mayoral, e os eurodeputados Miguel Urbán, Marina Albiol, Lidia Senra, Lola Sánchez e Tania González, entre outros.
O Manifesto de Oviedo, apresentado à Câmara de Deputados a 19 de Outubro de 2016, exige uma mudança radical da política de asfixia financeira, a revogação do artigo 135º da Constituição, da Lei de Estabilidade e da Lei Montoro, o reembolso pelos bancos dos juros abusivos que receberam (no quadro do Plano de Pagamento aos Fornecedores ou do Fundo Público de Ajuda às Regiões (FLA), por exemplo) e o fim imediato dos cortes orçamentais e medidas de austeridade, revertendo as suas consequências, identificando os seus responsáveis e indemnizando as suas vítimas. Os signatários comprometem-se a apoiar a criação duma frente contra a dívida ilegítima e a lançar auditorias da dívida com participação cidadã nas administrações públicas. (Ver Manifesto)
Nas últimas semanas dezenas de assembleias municipais em todo o território espanhol tomaram a iniciativa de aprovar moções inspiradas na filosofia do Manifesto de Oviedo, exigindo, entre outras coisas, a abolição da Lei Montoro, declarada parcialmente inconstitucional.
Em meados de Outubro teve também lugar o AudiFest em Barcelona.
De 24 a 27 de Novembro decorreu em Oviedo o 1º Encontro dos Municípios contra a dívida ilegítima e a austeridade. O programa inclui uma conferência-debate animada por Éric Toussaint, «Que tal auditar a dívida ilegítima e recusar o pagamento aos credores?», que teve lugar dia 24 na Faculdade de Economia e Empresas da Universidade de Oviedo; o atelier sobre auditoria cidadã, animado por Yago Alvarez, autor de «Decifra a Tua Dívida», com a projecção do documentário Dividocracia no dia 25; uma jornada de trabalho e uma conferência pública com a participação de Ana Taboada, vice-presidente da câmara de Madrid, e Éric Toussaint, no dia 26.
Um dos objectivos do encontro é a constituição duma frente de municípios, comunidades autónomas e nacionalidades do Estado espanhol para pôr em causa a dívida ilegítima e trabalhar pela sua anulação. Consciente de que a participação e o apoio de todos é indispensável, o processo está aberto aos movimentos sociais, aos militantes e a todos os cidadãos. Entre os militantes signatários figuram membros de organizações como a ATTAC e o CADTM; sindicatos como o ELA (principal sindicato do País Basco), redes como o Não ao TTIP e a plataforma para a auditoria cidadã em Espanha (PACD).
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Adesões internacionais:
Tradução: Rui Viana Pereira
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