Náufragos invisíveis

A tragédia migratória da «rota das Canárias»

16 de Janeiro por Fernanda Gadea


Rotação – Ilustração de Jorge Alaminos



Continuemos a dar voz a quem não a tem.

Num mundo onde as notícias mudam à velocidade de um clique, é fácil os novos conflitos substituírem os antigos, as tragédias caírem no esquecimento e as vozes mais frágeis tornarem-se mudas.

Mas a justiça não caduca e a dor de quem sofre não desaparece só pelo facto de aparecerem novos actores na ribalta.

Por isso, continuar a dar voz a quem não a tem é um acto de responsabilidade e memória. Significa não permitir que a indiferença ou a saturação informativa nos anestesiem. Cada nova crise não pode apagar a anterior, deve servir para recordarmos que a solidariedade, essa «ternura dos povos» de que nos fala Che Guevara, não tem prazo de caducidade, e a dignidade humana não pode ser seletiva.

Continuar a falar, a escrever e a agir em favor das pessoas envolvidas é manter viva a nossa consciência colectiva. Porque enquanto houver pessoas sem voz, há razões para levantarmos a nossa.

Daí a minha humilde contribuição através de uma pequena apresentação com números, análises e comentários sobre a tragédia das mortes no mar (que não são mortes, são assassínios), durante os anos 2023 e 2024, de quem tenta alcançar as costas das Canárias vindo de África. Uma tragédia que continua sem parar, porque nada foi feito para a travar e porque migrar em busca de uma vida digna de ser vivida é, acima de tudo, um direito humano inalienável.


Tradução de Rui Viana Pereira

Fernanda Gadea

Coordenadora da ATTAC Espanha.

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