9 de Março por Eric Toussaint
No momento em que os Estados Unidos e Israel lançaram, a partir de 28/02/2026, uma nova agressão militar de enorme envergadura contra o Irão e o Líbano, ao mesmo tempo que continua o genocídio em Gaza contra o povo palestiniano e a anexação da Cisjordânia, é importante analisar numa perspectiva histórica a política dos EUA nas Américas. É o que nos propõe Éric Toussaint no artigo «Hemisfério Ocidental: uma história dos EUA lavrada pela guerra». Este estudo histórico inscreve-se em uma série de artigos consagrados pelo autor à análise da política internacional da administração de Trump e dos governos que o precederam.
A história oficial dos EUA é frequentemente apresentada como a descrição exemplar de uma nação forjada na luta pela liberdade e pelo alargamento progressivo dos direitos democráticos. No entanto, um olhar crítico revela outro contínuo menos invocado: a guerra como instrumento constitutivo do poder americano. Das campanhas coloniais contra as nações ameríndias à escravatura e segregação racial, passando por intervenções militares e golpes de estado na América Latina e nas Caraíbas, a expansão militar, económica e política dos EUA está profundamente ligada à violência organizada. Este artigo propõe-se revisitar essa trajectória política, para mostrar que não se trata de episódios isolados nem de desvios acidentais, mas sim de uma lógica estrutural que acompanhou a formação e o prestígio dos EUA desde as origens até aos dias de hoje.
A historiografia dominante dos EUA apresenta-os como uma nação nascida na luta pela liberdade, que progressivamente expandiu os direitos democráticos. Esta interpretação é profundamente enganadora. A história dos EUA é acima de tudo a de uma conquista armada por parte das nações europeias e seus colonos, que começou muito antes de 1776 em detrimento dos povos ameríndios.
A partir do século XVII, no território que viria a ser o dos EUA, os colonos europeus levaram a cabo uma longa guerra colonial contra as nações ameríndias
A partir do século XVII, no território que viria a ser o dos EUA, os colonos europeus levaram a cabo uma longa guerra colonial contra as nações ameríndias. Esta guerra não foi nem marginal nem defensiva: tinha por objectivo a apropriação das terras, a destruição das sociedades indígenas e a imposição de uma ordem colonial alicerçada na hierarquização racial. Os massacres de civis, a destruição de aldeias, os deslocamentos forçados, a escravatura e os tratados impostos pela força constituem os instrumentos habituais dessa conquista.
A independência de 1776 não rompeu com essa lógica, apenas a transformou. A violência colonial tornou-se uma política de estado, aplicada em nome da República. As guerras contra as populações ameríndias do século XIX no quadro do Indian Removal [1], a política das reservas e o extermínio de populações inteiras prolongaram e amplificaram as práticas coloniais anteriores.
Uma vez concluída a conquista interna, a mesma lógica estendeu-se além-fronteiras ao longo do século XIX. O hemisfério ocidental, que abarca da Gronelândia e do Canadá, a norte, até ao Chile e à Argentina, a sul, passa a ser o novo espaço de expansão, ingerência e dominação. Guerras, ocupações, golpes de estado, sanções económicas e intervenções militares directas ou indirectas marcam a história dos EUA na América Latina e Caraíbas.
Esta expansão tem origem na tendência do capitalismo para se desenvolver a fim de alargar os seus mercados e estender o seu controlo às populações que pode explorar e aos recursos que pretende extrair. Desde finais do século XIX, com o aparecimento de grandes empresas capitalistas monopolistas com ambições cada vez mais internacionais e mundiais, esta tendência manifestou-se em intervenções frequentes contra países formalmente independentes, assim como em num novo período de colonização (como seja a partilha do continente africano entre as potências europeias, na conferência de Berlim, 1885).
Escusado será dizer que o sistema capitalista, desde as suas origens até à sua consolidação, além da deslocação das comunidades ameríndias, da escravização dos povos africanos e de intervenções imperialistas, inclui a exploração da classe operária nos EUA. Mencionamos aqui este aspecto, porque se trata de uma dimensão do processo que não examinaremos neste artigo.
Uma vez concluída a conquista interna, a mesma lógica estendeu-se além-fronteiras ao longo do século XIX. O hemisfério ocidental passa a ser o novo espaço de expansão, ingerência e dominação
Para completar o panorama de violência estrutural que marcou a história dos EUA, é indispensável incluir a escravização dos homens e mulheres africanos e seus descendentes, instaurada na época colonial e institucionalizada após a independência.
A partir do século XVII, e sobretudo nos séculos XVIII e XIX, milhões de africanos foram deportados à força para a América do Norte, no quadro do comércio negreiro transatlântico.
Reduzidas à escravatura, essas pessoas eram consideradas como bens mobiliários, privadas de liberdade, de direitos civis e de qualquer reconhecimento jurídico enquanto pessoas. O seu trabalho forçado constituiu um dos fundamentos económicos das colónias e depois dos EUA, em especial nas plantações de tabaco, algodão, arroz e cana-de-açúcar do sul. As condições de exploração eram extremamente duras: jornadas de trabalho exaustivas, violências físicas, separação familiar, ausência total de protecção jurídica contra os abusos. A escravatura assentava em um sistema racial hierárquico que associava a cor da pele ao estatuto social, justificando a opressão com teorias pseudocientíficas e religiosas.
| Tradução da imagem acima: Charlestown, 24 de julho de 1769. VENDE-SE Na quinta-feira, terceiro dia de agosto próximo, UMA CARGA de NOVENTA E QUATRO Negros jovens e de boa saúde, Incluindo trinta e nove homens, quinze rapazes, vinte e quatro mulheres e dezasseis meninas, Acabados de chegar, a bordo do navio Dembia, capitaneado por Francis Bare, proveniente de Serra Leoa, do armador DAVID & JOHN DEAS. |
Sem dúvida existia um movimento antiesclavagista considerável, composto por diversas tendências, das mais moderadas e institucionais às mais radicais e insurreccionais, representadas por figuras como John Brown. Em apoio à resistência dos escravos, os antiesclavagistas colocavam a questão do esclavagismo como tema central e incontornável da política norte-americana.
A Guerra da Secessão (1861-1865) opôs principalmente os esclavagistas do Sul aos estados do Norte. Dela resultou a aprovação da 13.ª emenda à Constituição, em 1865, a qual oficialmente aboliu a escravatura. Contudo, esta abolição não pôs termo à discriminação e à violência. Ao longo do período conhecido como Reconstrução (1865-1877) houve progressos jurídicos, nomeadamente com a 14ª e 15ª emendas, que garantiram aos homens negros a cidadania e o direito de voto. De igual modo, durante a ocupação do Sul escravista pelas tropas federais, foram tomadas medidas para proteger os alforriados do abuso dos usurários e dos antigos donos, o seu direito de voto foi protegido, foram eleitos funcionários negros e criadas universidades para acolher a população negra, os antigos escravos. A obra clássica do sociólogo afro-americano W. E. B. Dubois, Black Reconstruction in America, traça a história desse período. Mas estas conquistas foram rapidamente desbaratadas quando a classe capitalista do Norte abandonou essas políticas radicais e se acomodou à crescente influência dos supremacistas brancos no Sul, o que levou à consolidação do poder das antigas classes possidentes brancas do Sul e à promulgação, no final do século XIX, das chamadas leis «Jim Crow».
No final do século XIX, as leis «Jim Crow» instauraram uma estrita segregação racial nas escolas, nos transportes públicos e no acesso à habitação
Essas leis segregacionistas instauraram uma estrita segregação racial nas escolas, nos transportes públicos, nos lugares públicos e no acesso à habitação. Foram validadas em 1896 pela decisão do Supremo Tribunal: «separados mas iguais». Na realidade, os serviços e infraestruturas destinados aos afro-americanos eram sistematicamente de qualidade inferior. A isto acrescia a exclusão política por via dos testes de alfabetização e de taxas eleitorais, assim como um clima de terror caracterizado por linchagens e outras violências raciais.
| Tradução da imagem acima: À VENDA. Negros para o algodão de fibras longas e arroz. Um grupo de 460 Negros, habituados à cultura do arroz e às provisões; entre eles contam-se alguns bons mecânicos e domésticas. Serão vendidos a 2 e 31 de março próximos, em Savannah, por JOSEPH BRYAN. Condições de venda: Um terço em dinheiro vivo; o resto por obrigações com juros a contar da data da venda, pagáveis em quatro prestações anuais iguais, garantidas por hipotecas sobre as pessoas escravas e por uma caução pessoal aprovada, ou por letra de câmbio pagável em Savannah ou Charleston. Os compradores deverão pagar os custos dos trâmites. |
Este sistema de segregação legal perdurou até às décadas de 1950-1960. O movimento de direitos cívicos, encabeçado por numerosas personalidades e organizações, conduziu a grandes reformas: a decisão de 1954 que declarou inconstitucional a segregação escolar, seguida do Civil Rights Act de 1964 e do Voting Rights Act de 1965, que proibiu a discriminação racial e protegeu o direito de voto. Apesar destes progressos no campo jurídico, as desigualdades herdadas da escravatura e da segregação continuaram a ter efeitos duradouros nos planos económico, social e territorial.
Assim, a história dos EUA está manchada não só pela espoliação e violência contra os povos ameríndios, mas também pela escravatura e segregação dos afro-americanos, dois sistemas de opressão distintos mas profundamente estruturantes na formação do país.
A doutrina Monroe serviu para dissimular uma política de conquista cada vez mais agressiva por parte dos EUA, em detrimento dos novos estados latino-americanos independentes
A partir de 1823, o governo americano adopta a doutrina Monroe. O nome vem de um presidente do partido republicano norte-americano, James Monroe. Esta doutrina condenava qualquer intervenção europeia nos assuntos «das Américas». Na realidade, a doutrina Monroe serviu para dissimular uma política de conquista cada vez mais agressiva por parte dos EUA, em detrimento dos novos estados latino-americanos independentes, a começar pela anexação de uma grande parte do México na década de 1840 (Texas, Novo México, Arizona, Califórnia, Colorado, Nevada, Utah). As tropas americanas chegaram a ocupar a capital do México, em setembro de 1847. Nesse mesmo ano ocuparam também o porto estratégico de Veracruz.
Após a conquista de grande parte do México, a população mexicana e seus descendentes nos territórios conquistados juntaram-se às populações norte-americanas que sofriam múltiplas formas de deslocação, exclusão e negação dos direitos civis no sistema social e político americano.
Em 1898, os Estados Unidos declararam guerra à Espanha e apossaram-se, de diversas formas, de quatro das suas colónias: Cuba, Porto Rico, Filipinas e Guam.
É interessante notar que em 1902, em contradição com a doutrina Monroe, Washington não defendeu a Venezuela, quando o país sofreu uma agressão militar perpetrada pela Alemanha, Grã-Bretanha, Itália e Países Baixos, com o objectivo de a obrigarem a pagar a «sua» dívida. Na sequência, os EUA intervieram diplomaticamente para que Caracas retomasse o reembolso da dívida. Esta atitude de Washington deu azo a uma grande controvérsia com diversos governos latino-americanos e, em particular, com o ministro argentino dos Negócios Estrangeiros, Luis M. Drago, que declarou:
«O princípio que eu gostaria de ver reconhecido é o de que a dívida pública não pode dar lugar a uma intervenção armada e menos ainda à ocupação física das nações americanas por uma potência europeia.»
É o que viria a ser conhecido como a doutrina Drago. Os debates entre governos deram azo a uma conferência internacional na Haia que concluiu, entre outras coisas, na aprovação da Convenção Drago-Porter (do nome de H. Porter, militar e diplomata americano) em 1907. Esse acordo estipulava que a arbitragem devia ser o primeiro passo na resolução dos conflitos: todos os estados que fizessem parte desse acordo deveriam aceitar submeter-se a uma arbitragem e nela participar de boa-fé, caso contrário o estado que reclamava o reembolso da dívida readquiria o direito de utilizar a força armada para alcançar os seus objectivos. Mais tarde, a convenção viria a ser violada diversas vezes por Washington.
Em 1903, o presidente Theodore Roosevelt apoiou e encorajou a separação e independência do Panamá. Tinha por objectivo a construção e o usufruto do Canal do Panamá, sob o controlo de Washington.
Em 1904, o mesmo presidente anunciou que os EUA se consideravam o polícia das Américas. Enunciou assim o que viria a ser conhecido como o corolário Roosevelt à doutrina Monroe:
«A injustiça crónica ou a impotência resultantes de um relaxamento geral das normas da sociedade civilizada podem, em última análise, na América ou noutras partes, exigir a intervenção de uma nação civilizada e, no hemisfério ocidental, a adesão dos estados à doutrina Monroe pode obrigar os Estados Unidos, ainda que com relutância, nos casos flagrantes de injustiça e impotência, a exercer um poder policial internacional.» [2]
Em 1915 os EUA invadiram o Haiti, usando como pretexto a recuperação de dívidas, e ocuparam o país até 1934
Em 1915 os EUA invadiram o Haiti, usando como pretexto a recuperação de dívidas, e ocuparam o país até 1934. O escritor uruguaio Eduardo Galeano escreve:
«Os Estados Unidos ocuparam o Haiti durante vinte anos e, nesse país negro que foi palco da primeira revolta vitoriosa de escravos, introduziram a segregação racial e o regime de trabalho forçado, matando mil e quinhentos trabalhadores aquando de uma das suas operações de repressão (segundo um inquérito realizado pelo Senado americano, em 1922) e, quando o governo local recusou transformar o Banco Nacional em uma sucursal do National City Bank de Nova Iorque, suspenderam o pagamento das gratificações habitualmente pagas ao presidente e aos seus ministros, para obrigá-los a reflectir.» [3]
Na mesma época ocorreram outras intervenções militares americanas: o envio, em 1909 e entre 1912 e 1933, de tropas de ocupação na Nicarágua; a ocupação do porto de Veracruz no México em 1914 durante a revolução; a ocupação da República Dominicana de 1916 a 1924; a expedição no Norte do México contra a revolução e, em particular, contra as tropas de Pancho Villa. Note-se que esta lista nem sequer é exaustiva.
Convém recordar que, em diversos casos, as intervenções dos EUA foram o prelúdio da instauração de ditaduras prolongadas e sangrentas, depois de as tropas americanas retirarem. Tal foi o caso na República Dominicana e na Nicarágua: as ditaduras de Somoza e Trujillo foram dirigidas por personalidades que subiram na hierarquia como oficiais dos corpos militares criados e formados pela ocupação americana.
Este breve resumo da intervenção e da política dos EUA na América no século XIX permite compreender as verdadeiras motivações de Washington para rejeitar em 1898 as dívidas reclamadas a Cuba (ler «O repúdio declarado pelos EUA da dívida de Cuba reclamada por Espanha em 1898: e quanto à Grécia, Chipre, Portugal, etc.?») e à Costa Rica nos anos 1920 (ler «O Que Outros Países Podem Aprender com o Repúdio da Dívida da Costa Rica»). Depois de ter vencido a armada imperial espanhola ao largo da costa de Santiago de Cuba em junho de 1898, os EUA recusaram tomar a responsabilidade das dívidas que os credores dessa colónia espanhola reclamavam a Cuba. Washington declarou a nulidade dessa dívida odiosa, pois ela tinha servido para manter a dominação colonial contra as aspirações independentistas dos Cubanos. Washington utilizou esse argumento de forma perfeitamente oportunista, pois os Estados Unidos pretendiam dominar de facto a ilha, sem terem de assumir o pagamento da dívida. Fizeram o mesmo após a invasão do Iraque em 2003 (ler «The Odious Iraqi Debt»). Quanto à anulação da dívida da Costa Rica em relação a uma grande instituição bancária britânica após a Primeira Guerra Mundial, mais uma vez, os EUA defenderam a Costa Rica de maneira perfeitamente oportunista, pois tratava-se de enfraquecer no hemisfério ocidental o poderio da Grã-Bretanha, que nessa época era ainda a primeira potência imperialista mundial. Os EUA tinham todo o interesse em apresentarem-se como a nação protectora da Costa Rica, no quadro da doutrina Monroe.
Em 1935, o major-general Smedley D. Butler, que tinha participado em numerosas incursões estado-unidenses na América, resumiu da seguinte maneira, quando já estava na reforma, a política de Washington:
«Passei trinta e três anos e quatro meses no exército, no seio da força mais eficaz deste país: a infantaria de marinha. Ascendi a todos os escalões da hierarquia, desde a patente de guarda-marinha [patente de oficial subalterno da marinha equivalente à de alferes no exército português. N. do T.] à de general de divisão. E durante todo esse período passei a maior parte do meu tempo como assassino contratado ao serviço das grandes empresas, de Wall Street e dos banqueiros. Em resumo, fui um assassino de aluguer ao serviço do capitalismo… Por exemplo, em 1914 contribuí para fazer do México, mais precisamente de Tampico, uma presa fácil para os interesses petrolíferos americanos. Contribuí para fazer de Haiti e de Cuba lugares propícios à recolha de rendimentos para o National City Bank… Entre 1909 e 1912, ajudei a purgar a Nicarágua em benefício do banco internacional Brown Brothers. Em 1916, levei a luz à República Dominicana em nome dos interesses açucareiros americanos. Em 1903 ajudei a pacificar as Honduras, em proveito das empresas fruteiras americanas.» [4]
Sublinhe-se que na época em que escreveu isto, Butler se tornou um fervente detractor das intervenções e das políticas militaristas dos EUA, nas quais tinha anteriormente participado.
A partir de 1945 as intervenções americanas no hemisfério ocidental oscilaram entre operações clandestinas, guerras indirectas e invasões convencionais, usando contingentes que iam de apenas alguns centenas homens (Guatemala) a mais de 27.000 soldados (Panamá), e com consequências humanas dramáticas para os países afectados, em particular na República Dominicana e no Panamá
A partir de 1945 os EUA levaram a cabo uma série de intervenções militares no hemisfério ocidental, alternando operações clandestinas, guerras por procuração e invasões convencionais. As intervenções americanas no hemisfério ocidental oscilaram entre operações clandestinas, guerras indirectas e invasões convencionais. Apenas abordarei aqui as intervenções directas mais conhecidas.
A primeira intervenção pós-guerra teve lugar na Guatemala em 1954. A administração Eisenhower orquestrou, por intermédio da CIA, o derrube do presidente Jacobo Árbenz (operação PBSUCCESS). Não se tratava de um desembarque massivo de tropas americanas: o golpe de estado contra o presidente constitucional beneficiou da intervenção de algumas centenas de combatentes treinados e armados pela CIA, apoiados numa guerra psicológica com apoio logístico. O objectivo era impedir a continuação da reforma agrária e a nacionalização das empresas americanas do sector agroindustrial.
Em 1961 as atenções recaíram sobre Cuba. A operação da Baía dos Porcos, destinada a derrubar o governo revolucionário, mobilizou à volta de 1400 exilados cubanos (Brigada 2506), treinados e equipados por Washington. Oficialmente nenhuma divisão de combate americana esteve no terreno, mas a operação foi totalmente planificada e apoiada pelos EUA. O fracasso foi rápido e penoso no plano político. O povo cubano mobilizou-se para defender o processo revolucionário em curso.
O salto qualitativo verifica-se em 1965 na República Dominicana. Juan Bosch, intelectual progressista, foi o primeiro presidente democraticamente eleito após a queda do ditador Trujillo. Sete meses após a sua investidura, foi derrubado por um golpe de estado militar apoiado pela elite conservadora, que o acusava de ser «demasiado à esquerda» ou pró-comunista. Perante a resistência contra o golpe de estado, Washington lançou a operação Power Pack. Desembarcaram cerca de 22.000 soldados americanos (mais de 40.000 passaram pela ilha durante a operação). As perdas americanas ascenderam a várias dezenas. Do lado dominicano, as estimativas geralmente aceites dão conta de 2000 a 4000 mortos, incluindo civis e combatentes.
Nos anos 1980 é adoptada uma estratégia mais indirecta na Nicarágua. A administração Reagan não opta por uma invasão clássica; em vez disso apoia, financia e forma os «Contras» contra o governo sandinista. É uma guerra por procuração: sem recorrer ao envio massivo de tropas, mas apenas de conselheiros, supervisão clandestina e grande apoio logístico estruturado. Isto sem esquecer a colocação de minas submarinas nos principais portos da Nicarágua (Corinto, Puerto Sandino e El Bluff) entre finais de 1983 e inícios de 1984. A CIA supervisionou directamente a operação. Na sequência de uma queixa apresentada pela Nicarágua, o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) emitiu uma célebre resolução que condenava severamente os EUA pelo uso ilícito da força. O Tribunal decidiu que a minagem dos portos e os ataques contra as instalações petrolíferas constituíram uma violação da obrigação de não recorrer à força contra outro estado. Face ao avanço do processo, os EUA retiraram o seu reconhecimento de competências ao TIJ. A seguir Washington usou o seu direito de veto no Conselho de Segurança para bloquear a execução da sentença (que exigia o pagamento de uma indemnização calculada em vários milhares de milhões de dólares). No entanto, esta decisão do TIJ continua hoje em dia a constituir uma referência fundamental no direito internacional no que se refere à proibição do recurso à força e ao princípio da não intervenção.
Em Salvador, Guatemala e Honduras, a intervenção da CIA e de peritos militares americanos em apoio aos regimes anticomunistas repressivos foi sistemático durante esse período.
Em 1983, os EUA invadiram Granada (operação Urgent Fury). Cerca de 7000 soldados americanos desembarcaram para derrubar um governo de esquerda muito enfraquecido, depois de uma das suas facções ter destituído e executado Maurice Bishop e outros dirigentes do New Jewel Movement. O governo de Granada apenas dispunha de um exército de um milhar de combatentes. A operação foi rápida e marcou o regresso da intervenção militar americana assumida.
Em dezembro de 1989, a intervenção no Panamá foi a mais massiva desde a invasão da República Dominicana. A operação Just Cause (Justa Causa) mobilizou à volta de 27.000 militares americanos para derrubar o general Manuel Noriega e, sobretudo, para assegurar o controlo do Canal do Panamá. As perdas americanas contaram-se por dezenas. As perdas panamenses são controversas: as estimativas oscilam entre 500 e 3000 mortos, militares e civis, tendo-se concentrado os combates nas zonas urbanas da cidade de Panamá, em particular no bairro de El Chorrillo.
Em 1994, Washington interveio no Haiti (operação Uphold Democracy). Cerca de 25.000 soldados americanos estiveram envolvidos.
Na agressão militar contra a Venezuela, em 3 de janeiro de 2026, a operação mobilizou 150 aviões. Entre estes encontravam-se caças furtivos F-35A (a partir da antiga base naval Roosevelt Roads, em Porto Rico) para destruir as defesas antiaéreas S-300 e os radares, bem como uma dezena de helicópteros de transporte e ataque do 160º SOAR (regimento de aviação das operações especiais). O raid foi levado a cabo por unidades de elite da Delta Force, transportadas de helicóptero directamente para o complexo presidencial de Miraflores e o forte Tiuna. Calcula-se a participação de várias centenas de comandos militares no assalto directo, ao mesmo tempo que milhares de marines se mantiveram em estado de alerta nos navios. Além do complexo presidencial, os ataques destruíram centros de investigação, entrepostos de consumíveis médicos em La Guaira e antenas de comunicação, a fim de paralisar a cadeia de comando venezuelana. No mar, o grupo de assalto anfíbio da marinha norte-americana Iwo Jima (LHD-7) serviu de centro logístico da operação. Foi apoiado por uma frota de contratorpedeiros e pelo porta-aviões USS Gerald R. Ford. O presidente Nicolas Maduro e a esposa Cilia Flores foram capturados na sua residência, imediatamente transferidos à força para Nova Iorque via base militar de Guantanamo e detidos em uma prisão de Brooklyn, onde aguardam um processo que deve ter início em 2027. A intervenção dos EUA causou a morte de 80 combatentes venezuelanos e cubanos que tentaram proteger o casal presidencial.
| Para saber mais sobre a política de Trump no hemisfério ocidental: «Ex-presidente hondurenho Hernández perdoado, Maduro sequestrado: o cinismo de Trump» «Trump e o domínio imperialista despudorado do hemisfério ocidental» |
Nesta lista, que não é exaustiva, apenas incluí as agressões em que um número considerável de militares americanos ou de mercenários formados e dirigidos directamente por eles foram utilizados. No que diz respeito ao hemisfério ocidental, há que acrescentar um grande número de golpes de estado realizados a mando ou com a ajuda dos EUA, nomeadamente:
Esta lista está longe de ser completa.
Em suma, desde 1945 as intervenções americanas no hemisfério ocidental oscilaram entre operações clandestinas, guerras indirectas e invasões convencionais, com destacamentos que vão desde poucas centenas de homens (Guatemala) até mais de 27.000 soldados (Panamá), com consequências humanitárias dramáticas nos países envolvidos, em particular na República Dominicana e no Panamá.
| Período / Data | País / Região | Tipo de intervenção |
|---|---|---|
| Sécs. XVII-XIX | Estados Unidos (actuais) | Guerras contra os indígenas e espoliação dos povos ameríndios. |
| 1823 | Américas | Proclamação da doutrina Monroe (hegemonia dos EUA). |
| 1846 - 1848 | México | Anexação do Texas, Califórnia, Arizona, Novo México, etc. Ocupação do México e de Veracruz (1847). |
| 1898 | Cuba, Porto Rico | Guerra contra Espanha e tomada de controlo das colónias. |
| 1903 | Panamá | Secessão da Colômbia encorajada pelos EUA, para poderem ter o controlo do Canal. |
| 1909 / 1912-33 | Nicarágua | Envio de tropas de ocupação. |
| 1914 | México | Ocupação do porto de Veracruz durante a revolução. |
| 1915 - 1934 | Haiti | Invasão e ocupação militar (trabalho forçado e segregação). |
| 1916 - 1924 | República Dominicana | Ocupação militar directa. |
| 1954 | Guatemala | Operação PBSUCCESS (CIA) contra Jacobo Árbenz. |
| 1961 | Cuba | Desembarque na Baía dos Porcos (Brigada 2506). |
| 1965 | República Dominicana | Operação Power Pack (22.000 à 40.000 soldados). |
| 1980s | Nicarágua | Guerra dos «Contras» e minagem dos portos pela CIA. |
| 1983 | Granada | Operação Urgent Fury (7.000 soldados). |
| 1989 | Panamá | Operação Just Cause (27.000 soldados) contra Noriega. |
| 1994 | Haiti | Operação Uphold Democracy (25.000 soldados). |
| 2026 (3/jan.) | Venezuela | Agressão aérea (F-35), Delta Force e captura de N. Maduro. |
Os métodos podem ter evoluído, mas os objectivos permanecem os mesmos: controlar os territórios, os recursos e as decisões políticas dos povos
A análise histórica das guerras levadas a cabo no território dos EUA e no hemisfério ocidental revelam um contínuo fundamental. A violência não é uma anomalia histórica americana: ela é matricial. Da destruição das nações ameríndias à ingerência permanente na América Latina e nas Caraíbas, é sempre a mesma lógica que se repete ao longo dos séculos.
Os povos autóctones foram as primeiras vítimas desta trajectória: desapossados das suas terras, dizimados pela guerra, relegados para reservas, privados da sua soberania. Esta guerra interna, conduzida em nome do progresso e da civilização, forneceu o modelo ideológico e militar para as intervenções posteriores. A conclusão da «fronteira» não pôs fim à expansão: apenas a deslocou.
Ao longo dos séculos XX e XXI, os EUA projectaram esta lógica em todo o hemisfério ocidental, sob sucessivos pretextos: luta contra o comunismo, defesa da democracia, guerra contra o terrorismo. Os métodos evoluíram, mas os objectivos permanecem os mesmos: controlar os territórios, os recursos e as decisões políticas dos povos.
Reconhecer esta continuidade não é um exercício ideológico, mas sim um imperativo político e histórico. Permite-nos compreender que as intervenções contemporâneas não constituem rupturas, mas antes o prolongamento de um longo processo. Enquanto a história for escondida ou minimizada, a violência que ela gera poderá continuar a apresentar-se como necessária ou legítima.
Este artigo convida, pelo contrário, a nomear os factos, a devolver a palavra aos povos dominados e a recordar uma evidência frequentemente ocultada: o poder americano foi construído, e continua a manter-se, através da guerra e de outras formas de violência.
Ned Blackhawk, Violence Over the Land: Indians and Empire in the Early American West 2006
Estudo académico aprofundado sobre a violência colonial na América do Norte. Blackhawk mostra como a guerra, ainda antes de 1776, estrutura as relações de poder e configura o espaço político norte-americano. Útil para dotar a análise dos conflitos do século XVIII de um aparelho crítico sólido.
Ned Blackhawk, Violence over the Land: Indians and Empires in the Early American West. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2006.
Dee Brown, Bury My Heart at Wounded Knee
Um clássico da história crítica das guerras índias do século XIX. Embora mais antiga e por vezes narrativa, esta obra continua a ser uma pérola para documentar os massacres, as deslocações forçadas e a destruição das nações das planícies, a partir de testemunhos e de fontes contemporâneas.
Dee Brown, Bury My Heart at Wounded Knee: An Indian History of the American West. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1970. ISBN: 0-03-085322-2.
W. E. B. Du Bois, Black Reconstruction in America: An Essay Toward a History of the Part Which Black Folk Played in the Attempt to Reconstruct Democracy in America, 1860-1880
Em Black Reconstruction in America (1935) W. E. B. Du Bois reavalia o período da Reconstruction (1865-1880), após a guerra da Secessão nos EUA, mostrando que os afro-americanos não foram actores passivos, mas artesãos essenciais da democracia nascente. Du Bois traz à baila os seus esforços para estabelecerem uma nova ordem política e social, e a forma como o falhanço da Reconstruction está ligada à separação racial e à oposição das elites brancas, conduzindo à instauração de leis segregacionistas.
W. E. B. Du Bois, Black Reconstruction in America: An Essay Toward a History of the Part Which Black Folk Played in the Attempt to Reconstruct Democracy in America, 1860-1880. New York: Harcourt, Brace and Company, 1935. Reedição: W. E. B. Du Bois, Black Reconstruction in America, 1860-1880. New York: Free Press, 1998. ISBN: 978-0684856575.
Roxanne Dunbar-Ortiz, An Indigenous Peoples’ History of the United States
Referência incontornável da historiografia anticolonial. A autora analisa a formação dos EUA como um projecto colonial, com uma acção colonizadora baseada na guerra. A obra é rigorosa, muito bem documentada, particularmente útil para estabelecer o elo entre as guerras índias e as intervenções imperialistas ulteriores.
Roxanne Dunbar-Ortiz, An Indigenous Peoples’ History of the United States. Boston: Beacon Press, 2014.
James D. Cockcroft, América Latina y Estados Unidos
O livro de Cockcroft desdobra-se em três partes: o México e a América Central, as Caraíbas e a América do Sul. Estamos perante uma obra de dupla faceta: por um lado, manual prático, fácil de consultar e solidamente documentado; por outro lado, um ensaio coerente, uma visão global, que desvenda a concepção contraditória mas sistemática dos EUA em relação à América Latina.
James D. Cockcroft, América Latina y Estados Unidos, Siglo XXI Editores, 2001, ISBN 9789682323324 ISBN-10 9682323320
Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina / As Veias Abertas da América Latina
Em Las venas abiertas de América Latina (1971), Galeano defende que o subdesenvolvimento latino-americano não constitui um atraso natural, mas sim o resultado histórico de séculos de pilhagem colonial e de dependência económica, primeiro sob a pata das potências europeias, depois sob a hegemonia dos EUA.
Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina. La Havane: Casa de las Américas, 1971. Primeira edição em castelhano. Edição mais recente: Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina. Madrid: Siglo XXI de España Editores, 2021. ISBN 978-84-323-2024-8.Em português:Eduardo Galeano. 1971. As Veias Abertas da América Latina. Ed. Antígona (Portugal), 2017, ISBN: 9789726082934.Eduardo Galeano. 2010. As Veias Abertas da América Latina. L & Pm (Brasil), 2010, ISBN-13: 9788525420695, ISBN-10: 8525420697.
Greg Grandin, Empire’s Workshop
Indispensável para compreender a continuidade entre a conquista interna e as intervenções externas. Grandin analisa a América Latina como um laboratório das práticas imperiais americanas, estabelecendo a ligação entre os séculos XIX e XX dentro da mesma trajectória de dominação.
Greg Grandin, Empire’s Workshop: Latin America, the United States, and the Rise of the New Imperialism. New York: Henry Holt and Company, 2007. ISBN-13: 9780805083231, ISBN-10: 0805083235.
Claudio Saunt, Unworthy Republic: The Dispossession of Native Americans and the Road to Indian Territory
Análise precisa dos mecanismos políticos, jurídicos e militares de expulsão dos Índios. A obra torna evidente a responsabilidade directa das instituições federais na espoliação das nações ameríndias e desmistifica o mito de uma expansão «inevitável».
Claudio Saunt, Unworthy Republic: The Dispossession of Native Americans and the Road to Indian Territory. New York, NY: W. W. Norton & Company, 2020. ISBN: 978-0393609844.
Howard Zinn, A People’s History of the United States
Importante obra de síntese crítica. Zinn adopta sistematicamente o ponto de vista dos dominados – povos ameríndios, escravos, classes populares – e desconstrói a narrativa nacional americana. Embora se trate de uma obra de divulgação, o autor apoia-se num vasto corpus de fontes primárias e secundárias. Indispensável para compreender a lógica global da conquista e da violência de estado.
Howard Zinn, A People’s History of the United States. 1ª ed., Harper & Row, 1980.Um resumo do livro capítulo por capítulo pode ser lido aqui
Agradecimentos: O autor agradece a Rafael Bernabe e Maxime Perriot pela revisão do texto. Os eventuais erros contidos no artigo são da exclusiva responsabilidade do autor.
Tradução de Rui Viana Pereira
[1] O Indian Removal faz referência à política de deslocação forçada dos povos ameríndios aplicada pelo governo dos EUA no século XIX, oficialmente promulgada no Indian Removal Act, de 1830, durante a presidência de Andrew Jackson. Esta lei autoriza o governo federal a negociar – as mais das vezes à força – a troca das terras ocupadas pelas nações ameríndias a leste do Mississippi a troco de terras situadas mais a oeste, no que viria a ser o Oklahoma. Na prática, esta política traduziu-se em expulsões massivas e violentas que fizeram milhares de mortos, nomeadamente aquando do «Caminho das Lágrimas», que afectou especialmente os Cherokees. Na frase «As guerras contra as populações ameríndias do século XIX, o Indian Removal …», a expressão refere-se portanto ao conjunto dos conflitos, das pressões políticas e das deslocações forçadas por meio das quais os EUA alargaram o seu território para oeste, em detrimento das nações indígenas.
[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Corolário_Roosevelt. Quanto à citação original de Roosevelt em inglês, ler https://en.wikipedia.org/wiki/Roosevelt_Corollary
[3] Eduardo Galeano. 1971. As Veias Abertas da América Latina. Antígona (Portugal), 2017, ISBN: 9789726082934. L & Pm (Brasil), 2010, ISBN-13: 9788525420695, ISBN-10: 8525420697.
[4] Publicado em Common Sense, novembro de 1935. Ver Leo Huberman, Man’s Wordly Goods. The Story of the Wealth of Nations, New York, 1936. Esta tradução da citação provém de Eduardo Galeano, op. cit. Note-se que existe uma base americana situada em Okinawa com o nome do chefe militar Smedley D. Butler. O seu testemunho faz recordar inevitavelmente o de John Perkins, Confessions of an Economic Hit Man and Other Unmaskings of Global Power, San Francisco: Berrett-Koehler Publishers, 2004. ISBN: 978-1576753019. Versão em espanhol: Confesiones de un gángster económico: la cara oculta del imperialismo americano, Barcelona: Books4Pocket, 2009. ISBN: 978-84-92801-05-3. Edição francesa: Les confessions d’un assassin financier: révélations sur la manipulation des économies du monde par les États-Unis, Outremont (Québec): Al Terre, 2005. ISBN: 978-2896260010.
docente na Universidade de Liège, é o porta-voz do CADTM Internacional.
É autor do livro Bancocratie, ADEN, Bruxelles, 2014,Procès d’un homme exemplaire, Editions Al Dante, Marseille, 2013; Un coup d’œil dans le rétroviseur. L’idéologie néolibérale des origines jusqu’à aujourd’hui, Le Cerisier, Mons, 2010. É coautor com Damien Millet do livro A Crise da Dívida, Auditar, Anular, Alternativa Política, Temas e Debates, Lisboa, 2013; La dette ou la vie, Aden/CADTM, Bruxelles, 2011.
Coordenou o trabalho da Comissão para a Verdade sobre a dívida pública, criada pela presidente do Parlamento grego. Esta comissão funcionou sob a alçada do Parlamento entre Abril e Outubro de 2015.
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